Euzinha no Saara – This Time For Africa!

Se vocês lerem ate o final vão entender porque resolvi dar esse salto da Europa pra Africa. Sei que estou devendo trocentas viagens, mas eu TINHA que postar essa hoje!!!!
Eu sempre disse que não quero ter filhos. Mas depois dos últimos três dias eu mudei de ideia. Eu quero ter filhos especialmente para poder contar pra eles tudo o que aconteceu. Quero poder contar que o camelo da mamãe e um outro resolveram bancar os fujões e sair em disparada galopando no deserto do Saara, até a mamãe não aguentar mais e despencar do camelo. Você sabe que altura tem um camelo???? Então não ri!!!! Depois dessa experiência maravilhosa mamãe ainda teve coragem (falta de opção) de montar no camelo e seguir viagem por mais uma hora até chegar no acampamento. Tudo bem que a adrenalina e o céu único – se eu levantasse o braço acho que podia pegar uma estrela na mão!- me fizeram esquecer um pouquinho as dores da queda.
Chegando no acampamento mamãe teve que ficar só de calcinha e camiseta dentro da tenda, para o beduíno fazer uma inspeção no estrago. Entendam que as tendas são feitas de bambu e que no deserto, de noite, é um frio do cão. Entendam também que um Beduíno é um homem de uma tribo super conservadora, que pra mim cara pálida, na primeira impressão assusta.
Resultado: vários hematomas, um ombro fora do lugar e o nervo da virilha e coxa “estendido”.
Depois da adrenalina passar e com o corpo mais frio eu comecei a sentir as dores e juro que não acreditei em nada que o Aziz (beduíno) me disse. Mamãe estava certa que tinha pelo menos quebrado uma costela. No auge do desespero comecei a chorar e implorar pra ir pro hospital. Mas onde Natana? Pois é, meio sem opção eu aceitei o tratamento proposto pelo Aziz. Ele me fez uma massagem com um creme caseiro que tinha cheiro de mirra e que parecia me fazer pegar fogo. Sim um beduíno fez massagem na busanfa e nas pernocas de mamãe. Depois ele pediu pra eu morder um pedaço de madeira e eu super inocente sem entender nada mordi… De repente ‘aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah’ ele pois meu ombro no lugar. Devo ter acordado o Timão e Pumba do outro lado da Africa!!!
Mesmo toda esfolada e dolorida consegui curtir o jantar maravilhoso, a fogueira e as musicas. Até aprendi a tirar um som do derbake marroquino. Apesar dos pesares, essa noite foi perfeita.
No dia seguinte acordei com três vezes mais dor. Mas não é todo dia que você pode ver o sol nascendo por trás das dunas do Saara certo?  Agora que eu queria ter me filmado escalando a duna aaah eu queria!!!  Subi feito minhoca me rastejando sem poder abrir direito a perna kkkkkkkkkkkkkkkkk
Como desgraça pouca é bobagem, a pessoa ao invés de ficar quietinha e se recuperar, decide fazer sandboard. E pode? Pode sim!  Nunca me diverti tanto! E acho que assim esqueci um pouco da dor. Depois dessa proeza eu já estava toda confiante, decidi dar um rolê pelo deserto. Senti o chamado da natureza, e fui fazer xixi ao natural – não tem toillet no deserto- . Assim que terminei, olho pro lado, e logo ali no morro de areia vizinha ao meu esta passando uma caravana… Eu fingi que não vida eles, e sai lindíssima como se nada tivesse acontecido kkkkkkkkkkkkk
Pra finalizar, fui escrever o nome da pessoa amada na areia e um inseto -mix de barata com sei la o que – voou na minha direção. Devido as minhas limitações físicas no momento, rolei duna abaixo e ganhei mais uns hematomas alem de entrar areia ate dentro do ouvido!
Sobre minha primeira experiência no deserto do Saara? Única, Inesquecível, Perfeita!

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Viajando de primeira classe

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Eu preciso confessar que morro de inveja de alguns amigos e conhecidos que estão batalhando e se tornando pessoas bem sucedidas ainda jovens. Essas pessoas se dedicam em alcançar seus objetivos, e tenho certeza que daqui nao mais que 5 anos terão uma vida plena e feliz (financeiramente). Enquanto isso eu estou aqui na terra do queijo e dos moinhos, fazendo cursos aleatórios que nao sei pra que vou usar no meu futuro. Cuidando de 3 pessoinhas e meia, que vão deixar um buraco imenso no meu coração quando eu voltar pro Brasil. Entre um school assembly e uma ida ao parque com as crianças, eu preencho meu tempo conhecendo alguns países da Europa (e Africa lol).

O que mais me causa inveja é o fato de essas pessoas saberem o que querem e como conseguir. O futuro delas é certo. Elas são jovens e logo mais estarão viajando pelos mesmos lugares que eu viajei. De primeira classe e dormindo em hotel. Essas pessoas jamais saberão o que é dormir no aeroporto de Milão abraçando a mochila. Essas pessoas provavelmente nao terão a experiência de fazer couchsurf. Dormir na casa de um desconhecido. Jamais…

Essas pessoas terão horas e horas pra ficar entrando e saindo das lojas na Champs-Élysées. Elas comprarão de souvenir pros amigos um Whisky na Escócia. Eu gastei o dinheiro dos souvenirs pra ficar bêbada na Escócia (foi mal galera :/). Comer fish and chips ao lado da Edgware Road Station? Nao, pratos Gourmet no Rosewood London Hotel.

Se eu tivesse um pouco mais de bom senso, eu tentaria ser como essas pessoas. O problema é que dentro de mim tem uma faísca, uma bomba relógio, um buraco negro e um Titã. Tudo ao mesmo tempo e disputando espaço. E olha que nao é por falta de yoga e meditação que isso acontece… Gosto de pensar que as coisas são como devem ser, e as pessoas também… “Maktub”

Talvez isso explique o porque de eu estar pensando na Holanda, quando eu estava em Santa Cruz de La Sierra. Ou porque eu pensei em Marrocos quando estava na Bélgica. Porque eu talvez vá pensar na India enquanto estiver comprando minha passagem para New Orleans…

Nos últimos anos eu conheci muita gente parecida comigo. Gente que quando olha pra frente vê uma nuvem negra, mas quando olha pra dentro de si, vê um mundo enorme.

Gente como eu gosta de sonhar em um dia se casar, ter uma casa na colina, três filhos e um coelho de estimação. Mas geralmente esses pensamentos vem a cabeça quando estamos dentro de um trem indo de Praga pra Amsterdam e nos sentindo um pouco nostálgicos.

Temos saudades de casa o tempo todo. O único problema é que nao sabemos de qual casa. Temos muitas e nenhuma ao mesmo tempo.

Eu tenho inveja das outras pessoas, mas nem por isso sou menos feliz. Alias, nao poderia ser mais feliz. É confuso, eu sei. Mas te garanto, vale a pena ser assim🙂

Feliz dia dos Profeee!!!

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No dia da minha formatura da faculdade, logo depois de eu pegar o diploma, uma das minhas professoras cochichou pra mim: Agora sim Natana, pode ir pra Holanda. Essa é uma das cenas que eu não esqueço. E gracas a todos os professores que eu tive na minha vida, estou aqui realizando um sonho. Tenho muitos outros pra realizar, e pra isso, vou precisar de muitos outros professores no meu caminho!

Eis uma profissão que não é pra qualquer um. Ser professor exige mais do que entrar em uma sala de aula e soltar conteúdo pros alunos. Ser professor é ter paixão pelo que faz. A dedicação nunca é notada e retribuída instantaneamente. Por isso, trata-se também de uma profissão para pessoas generosas.

Ser professor exige mais sangue frio do que assassino. Quem nunca odiou um professor? Eu odiei vários.

Ser professor é ter charme. Quem nunca se apaixonou por um professor? Meu fraco sempre foram os de historia!

Acho que domar leões deve ser mais fácil do que domar uma sala com uma duzia de adolescentes na puberdade. E conversar com sua tia- avó semi surda não é tão entediante quanto dar aula pra uma turma de faculdade do período noturno na sexta feira.

Durante a escola, colégio e faculdade, e todos os cursos que eu fiz. Eu tive bons, excelentes e nem tao bons professores. Também tenho muitos amigos, que escolheram essa profissão. (provavelmente estavam bêbados). E a todos eu estendo minha gratidão e minha admiração. Espero não desaponta-los, e saibam que o trabalho de vocês foi/é responsável pelo ser humano que sou e quero ser… Aos professores que eu odiei, obrigada, graças a vocês eu sou uma pessoa mais elevada espiritualmente.

Aos professores que viraram amigos, obrigada pelo coração gigantesco e pela amizade calorosa.

Aos professores que são meus ícones ate hoje, obrigada por serem minha fonte de inspiração.

Feliz dia dos Profes e das “Psora”❤

🙂

Quando a minha comadre voltou para as terras tupiniquins!

De todas as lições que um intercambio te propõem, a mais difícil de aprender, é a que vai persistir desde o dia do embarque até o dia de voltar pra casa. Com certeza é: dar tchau.

Você se obriga a se despedir da sua família, dos amigos, do namorado, dos seus pets, da sua casa e do seu conforto. Você se despede da comida, do lado esquerdo da rua que você sempre anda, do jeito que você sempre passa manteiga no pão. Você se despede de quem você costumava ser, das amizades que costumava ter. Da sua pátria. Mais difícil que dar tchau pras pessoas, é dar tchau pros seus princípios. Porque quando você viaja aberto para viver o que o mundo tem para te mostrar. Cedo ou tarde você vai perceber que o que costumava ser certo, não é mais. E o errado é só uma questão de interpretação.

Hoje a minha Holanda ficou mais cinza. Hoje tive que dizer tchau pra minha comadre, que embarca de volta pro Brasil. Plagiando os participantes do BBB que costumam dizer: “Aqui dentro é tudo muito intenso”. Só quem já passou por isso, em especial Au Pair, tem noção de como realmente as coisas são muito intensas. Em oito meses de convivência com a Juliana nos descobrimos um casal de 40 anos juntas. Fico lembrando que em todos os meus melhores momentos ela estava presente. E nos piores, sempre foi pra ela que eu corri. Quantas vezes invertemos os papeis e tivemos que ser mãe? amiga? cuzona? Quantas risadas, quantas lagrimas e quantas conversas que sempre terminavam com: “Isso que a gente nem fuma”

Fico feliz de te-la conhecido e ter compartilhado com ela momentos tao especiais, como foi meu jantar surpresa de aniversario de namoro, e o pedido de noivado dela, em Paris! Os dias de preguiça em casa assistindo Os Normais e comendo amendoim serão tao eternos quanto as bike trips pela Holanda ou nosso incrível final de semana em Londres!

Agora minha comadre volta pro Brasil e começa uma aventura nova. Eu vou ficar aqui por enquanto, e terminar a minha jornada nas Zoropa.

Dar tchau não é fácil, mas pelo menos nesse caso eu sei que esta mais pra um Ate logo!

As amizades que fazemos enquanto viajamos, podem não durar muito tempo, mas são as mais sinceras, tocantes e intensas.

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